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Manifesto em defesa do Cine Belas Artes

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Temos a honra de anunciar a adesão de Zé Celso Martinez Corrêa ao Manifesto pelo Cine Belas Artes (*). Já ultrapassamos 80 apoios de personalidades influentes. Motiva as adesões a preocupação com o destino do prédio do Belas Artes, sob risco iminente de destruição. (Veja abaixo a lista preliminar de adesões e o texto do manifesto.)


Nas últimas horas, recebemos, também, as adesões do historiador Carlos Guilherme Mota, professor emérito da USP, de Cunha Júnior, apresentador dos programas Metrópolis e Vitrine, da TV Cultura, de Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo. e de Sérgio Haddad, presidente do Fundo Brasil Direitos Humanos e fundador da Ação Educativa.


Eles se somam a outros ilustres apoiadores, tais como o senador Eduardo Suplicy, Eva Wilma, Jorge Mautner, Danilo Miranda, Antunes Filho, Laís Bodanzky, Cao Hamburger, Toni Venturi, Raquel Rolnik, Nabil Bonduki, Cândido Malta Campos Filho, Celso Antônio Bandeira de Mello, Olgária Matos, Soninha Francine e Zuenir Ventura.

Adesões: albergon@gmail.com



* Manifesto em defesa do Cine Belas Artes, patrimônio cultural, artístico e afetivo de São Paulo e do Brasil



Amparados na Constituição Federal, que inclui as “edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais” entre os bens que “constituem o patrimônio cultural brasileiro” (inciso IV do Artigo 126), defendemos o imediato tombamento do prédio da Rua da Consolação, 2.423, esquina com a avenida Paulista, onde funcionava o mítico Cine Belas Artes. Também demandamos das autoridades que lancem mão de todos os instrumentos necessários para reabrir o cinema, inaugurado em 1967 pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) e Companhia Serrador no mesmo prédio que antes abrigara o Cine Trianon, aberto em 1952.

Desde sua inauguração, o Cine Belas Artes manteve as características que demarcaram sua singularidade no circuito exibidor e tornaram-no fundamental para a cultura cinematográfica no Brasil. Ao longo de 44 anos, operou mais como um centro cultural formador de público do que mera sala exibidora, como atestam dois de seus aclamados projetos, o Cineclube e o Noitão, que, diferentemente das salas de shopping, promoviam uma atmosfera propícia à interação. Contou para isso com a preciosa contribuição de Ancona López, reconhecido internacionalmente como um dos melhores programadores de cinema e que teve Leon Cakoff como seu assistente. Soube, também, adaptar-se à nova tendência de complexos com salas pequenas e médias ao transformar seu espaço no mais significativo multiplex de rua do país.

O Cine Belas Artes promovia a diversidade cultural e a reflexão sobre dramas humanos, história, política e arte por meio de uma programação com filmes de alto padrão, brasileiros e estrangeiros, inclusive com elevado número de obras-primas procedentes de países pouco presentes no nosso mercado exibidor. Desempenhava papel fundamental no circuito cultural das ruas da Consolação e Augusta e Avenida Paulista. Nos fins de semana e feriados, recebia, em média, 1.800 frequentadores por dia. As filas se repetiam e lotavam suas salas também às segundas e quartas-feiras nas tradicionais promoções com ingressos mais baratos. Esse sucesso era favorecido igualmente pela facilidade de acesso a pé e por transporte público.

Entretanto, pressões do mercado imobiliário provocaram a suspensão das atividades do cinema em março deste ano. O fato recebeu ampla divulgação na mídia. Frequentadores realizaram protestos na internet e na rua contra o fechamento e organizaram o Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA). Centenas de depoimentos pró-Belas Artes, um abaixo-assinado com cerca de 20 mil assinaturas e adesões de quase 90 mil pessoas no aplicativo Causes no Facebook são apenas alguns exemplos do que é visto como uma das maiores mobilizações em defesa de um patrimônio cultural no Brasil. Destacamos que este uníssono de vozes em São Paulo coincide com o movimento de resgate histórico dos cinemas de rua em curso no Rio de Janeiro, que contempla a reabertura do igualmente mítico Cine Paissandú (tombado em 2008), anunciada para julho de 2012.

Garantir o cinema de rua é valorizar um modo de vivenciar a cidade com seus bares, restaurantes, livrarias, as pipocas e as pizzas e os encontros com amores, amigos e conhecidos. É, acima de tudo, um exercício de cidadania – lugar de comunhão entre memória, cultura e afeto – que deve ser protegido e fomentado pelo Poder Público.

Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA)



LISTA PRELIMINAR DE APOIOS AO MANIFESTO PELO CINE BELAS ARTES



Alberto Bandone - cineasta
Alexandre Stockler - cineasta
André F.G. Neves - cineasta
André Fischer - jornalista

Anna Marcondes - presidente do Via Cultural – Instituto de Pesquisa e Ação pela Cultura
Antônio Moura Reis - jornalista

Antunes Filho - diretor do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do Sesc

Benjamin Seroussi - curador e produtor

Caio Plessmann - cineasta
Cândido Malta Campos Filho - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP

Cao Hamburger - cineasta

Carlos Guilherme Mota – historiador e professor emérito da FFLCH/USP
Caru Alves de Souza - cineasta

Celso Antonio Bandeira de Mello - jurista

Celso Gonçalves - cineasta e presidente da seção paulista da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD)

Célia Marcondes - presidente da Sociedade Amigos e Moradores do Bairro

Celso Luiz Lasarim - jornalista
Cleo de Paris - atriz do grupo "Os Satyros"

Cunha Júnior - apresentador de TV

Daniela Thomas - cenógrafa e cineasta

Danilo Miranda - diretor do Sesc/SP

Debora Duboc - atriz

Denise Carreira - coordenadora de educação da Ação Educativa e Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação

Edgard Carvalho - professor titular do departamento de antropologia da PUC/SP e representante no Brasil da cátedra itinerante Unesco Edgard Morin

Eduardo Suplicy - senador (PT/SP)

Eliseu Gabriel - vereador (PSB/São Paulo capital)

Evaldo Mocarzel - cineasta e dramaturgo
Eva Wilma - atriz

Fábio Yamaji - diretor de animação
Fernando Alves Pinto - ator

Fred Ghedini - ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor)
Gerardo Fontenelle - cineasta
Gero Camilo - ator e dramaturgo
Gina Rizpah Besen - psicóloga, consultoria ambiental e doutora em saúde pública

Hélio Goldstejn - diretor de TV
Jeferson De - cineasta

João Federici - produtor

João Signorelli - ator

Jorge Rubies - presidente da Associação Preserva São Paulo

Jorge Mautner - cantor e compositor

José Osório de Azevedo - desembargador

Junia Sirqueira Soares - assistente de audio-visual
Kiko Goifman - cineasta
Laerte - cartunista

Laerte Késsimos - ator
Laís Bodanzky - cineasta
Laura Wie - apresentadora de TV
Leandro Marques - radialista e cineasta

Lee Taylor - ator

Lucia Helena Vitalli Rangel - diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP

Lucila Lacreta - diretora do Movimento Defenda São Paulo
Luiz Carlos Merten - jornalista

Márcio Debellian - documentarista
Maria Margarida Cavalcanti Limena - diretora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP

Mouzar Benedito - escritor e jornalista

Nabil Bonduki - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP

Newton Moreno - dramaturgo
Olgária Matos - professora do Departamento de Filosofia da FFLCH/USP

Paula C. Ferraz - assessora de imprensa
Paulo Cannabrava - Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor)

Paulo de Tarso Chamon Schmidt - publicitário e jornalista
Pedro Roberto Jacobi - sociólogo e presidente do Procam/USP

Raquel Rolnik - arquiteta e urbanista, professora da FAU/USP e relatora da ONU para o direito à moradia

Raul Teixeira - sonoplasta e coordenador do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro

Regina Drummond - escritora

Regina Porto - sonoplasta, produtora e curadora de música contemporânea

Ricardo Ohtake - arquiteto
Rubens Rewald - cineasta e vice-presidente da Associação Paulista de Cineastas (Apaci)

Sara Silveira - produtora de cinema

Sebastião Milaré - escritor

Sérgio Haddad - diretor-presidente do Fundo Brasil Direitos Humanos e socio-fundador da organização Ação Educativa
Sonia Barros - escritora infanto-juvenil
Soninha Francine, apresentadora e ex-vereadora em São Paulo capital

Tadeu Jungle - cineasta

Toni Venturi - cineasta

Vera Masagão - coordenadora geral da Ação Educativa e integrante da coordenação executiva da Abong - Associação Brasileira de ONGs
Vinícius Romanini - jornalista e professor de semiótica da ECA e FAU/USP

Zé Celso Martinez Corrêa - ator, autor, diretor e líder do Teatro Oficina

Zuenir Ventura - jornalista

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