A Folha de São Paulo publicou no dia 22 de janeiro de 2012 o caderno Idiomas, como costuma fazer todos os anos. O caderno dá dicas e conselhos para quem quer aprender idiomas em geral, não só o inglês.
Há muitas ideias repetidas das edições anteriores, mas é sempre bom repetir, pois as dúvidas das pessoas são sempre as mesmas. Não só isso, mas as dificuldades no aprendizado se repetem muito.
Um artigo muito interessante chama-se “Você diz não saber o que houve de errado” (como na música dos Paralamas) e fala sobre as falhas cometidas por quem estuda um idioma. O artigo é assinado por Cristiane Cartacho e vale a pena ler, pois podemos tirar lições valiosas. Entre as diversas coisas escritas no artigo, acho importante salientar esse ponto:
“QUEM NÃO ENFRENTA A TIMIDEZ TAMBÉM NÃO DESENVOLVE HABILIDADE
O esforço de tentar se comunicar em outro idioma costuma despertar simpatia e respeito dos nativos da língua. Portanto, nada de ter medo na hora de falar. Errar é absolutamente normal. Somente a prática e o estudo garantirão o domínio da língua.“
Eu já falei em diversas ocasiões que errar é absolutamente normal e que faz parte do aprendizado. Quando a gente não fala, por medo de errar, acaba perdendo oportunidades de aprender mais. Ao errarmos e sermos corrigidos, aprendemos. Se não tentarmos, nunca saberemos se aquilo estava certo ou errado. Por isso é realmente importante deixar de lado a timidez.
Estive recentemente em Buenos Aires, na Argentina, e tive a chance de sentir isso na pele. Meu espanhol é bem ruim, mas eu tentei falar assim mesmo. Muitas vezes o que saía era Portunhol, mas consegui me comunicar. Eu nunca estudei espanhol e por isso qualquer coisa que eu consiga falar já é lucro.
Uma semana antes de viajar assisti a dois filmes em espanhol, um argentino (“O Segredo dos Seus Olhos”) e um espanhol (“A Pele Que Habito”), para ir me acostumando aos sons da língua.
Chegando na Argentina, tentava falar com todo mundo em espanhol. Os argentinos são muito simpáticos e comunicativos e tratam muito bem os turistas. Muitos deles, ao perceber que eu era brasileiro, falavam comigo em português. Meu espanhol é tão ruim que muitas vezes eu nem percebia se eles estavam falando comigo em espanhol ou em português com sotaque espanhol. Eu sempre tentava responder em espanhol, com o meu pouco vocabulário e nenhuma gramática. Muitas vezes eles falavam, eu respondia, e a Cris virava para mim e dizia: “Você percebeu que ele estava falando português, né?” Era engraçado, mas eu não me importava. Dava risada.
Em cinco dias na Argentina consegui aprender algumas palavras. Muitas delas aprendi depois de ter errado. Outras aprendi perguntando para as pessoas. Entrava numa loja, pegava um objeto na mão e perguntava: “Qué es eso?” Quando a gente aprende a perguntar “What’s this?” em inglês não imagina o quanto essa pergunta é útil.
Eu não estudo espanhol, mas fiquei com a sensação de que se estudasse, conseguiria aprender e me comunicar bem. O fato de ter tentado foi importante para mim.
A mesma coisa acontece com o seu inglês. É importante tentar. Mais uma vez quero deixar claro que não estou dizendo para você falar errado. Você deve tentar falar certo e usar os erros para aprender. O que estou dizendo é que você não deve ter medo de errar. Se errar, tudo bem. Depois você vai estudar mais e tentar corrigir o seu erro. Se você se esquecer de alguma coisa que já viu, tudo bem também. É normal nos esquecermos de palavras. A repetição vai fazer com que nos lembremos delas. Quando a palavra aparecer de novo e você não se lembrar, não se sinta mal. Uma hora você vai aprender.
Não é tão difícil vencer a timidez. Basta você pensar: “Qual a pior coisa que pode me acontecer se eu errar?” E verá que nada de grave vai acontecer. Se a pessoa não entender você, você vai dar um jeito de se comunicar. E é assim que se aprende.
Por Carlos Gontow
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